Perfil : Flavio Colker

 

Revista da Cultura * Seção: Miniping. Páginas 52 a 55.
Data da publicação: Agosto de 2013 * Edição n° 73

Perfil de Thaís Gulin por Adriana Paiva

 

POR UMA NARRATIVA EMOCIONADA

Fotógrafo com nome ligado à cena artística dos anos 1980 e com trabalhos na coleção permanente do MAM/SP, Flavio Colker se dedica agora a projetos que incluem a volta ao cinema e o lançamento de um livro sobre a companhia de dança de sua irmã

POR: ADRIANA PAIVA / 06/08/2013

Quando concedeu esta entrevista à Revista da Cultura, Flavio Colker estava de malas prontas para voltar do México, para onde partiu no ano passado em busca de inspiração (os retratos do artista nesta matéria foram feitos em sua casa, no Rio de Janeiro, logo após seu retorno ao Brasil). Nessa conversa, ele faz questão de deixar claro que as imagens selecionadas para o livro – com lançamento previsto para outubro e cujas fotos antecipamos nas próximas páginas – que marca os 20 anos da Cia. de Dança Deborah Colker, dirigida por sua irmã, estão entre os muitos projetos que o movem nesse momento – até o mês passado, ele esteve com um trabalho exposto no Oi Futuro Flamengo. Ainda na lista dos planos que já começam a ganhar corpo, estão um roteiro de ficção com Fausto Fawcett, parceiro das antigas, uma série para TV e um ensaio sobre máquinas, paixão que ele traz da infância. Prolixo, intenso, interessado por híbridos, o atual momento desse carioca talvez possa ser resumido em suas próprias palavras ao explicar por que a fotografia digital o arrebatou: “O importante é a gente fazer, mostrar, influenciar e ir em frente”.

A maioria das fotos presentes no livro que marca os 20 anos da Cia. de Dança Deborah Colker tem a sua assinatura. Você já declarou que a Deborah procura a imagem na dança e que suas fotografias foram importantes de várias maneiras no trabalho dela. Como, exatamente?

Ah, de uma maneira muito prática. Porque certas imagens, quando chegávamos nos teatros, nos contratantes, enfim, nas revistas que divulgavam, elas ganhavam um espaço enorme. Porque as fotos eram muito boas, sabe? Mas não vou dizer que eu sozinho fiz isso. O que consegui fazer foi com aquilo que a Deborah me deu, que eram, vamos dizer, protoimagens, cenas muito bonitas, feitas dos movimentos, da cenografia do Gringo Cardia. E tive uma inspiração enorme para fazer as fotos. Então, num nível muito prático, essas fotos foram importantes para o trabalho dela circular pelo mundo. E tem outro lado, que é o que gosto mais de falar, que é a questão das inspirações. Qual é a inspiração da Deborah no trabalho dela? No livro, ela divide isso. Ela fala que tem uma primeira fase e uma segunda fase. Na primeira, ela está se inspirando nas ações do cotidiano e transformando aquilo em dança, estilizando. Mas ela também vai buscar em outros lugares. Em Nó[espetáculo que estreou em 2005], por exemplo, ela busca inspiração nas imagens do sadomasoquismo. Acho que esse é um dos trabalhos mais importantes dela. Não à toa, é recorde de público. As imagens são muito importantes, sabe? Essa pesquisa, digamos assim, eu fazia de olhar, por exemplo, o [Robert] Mapplethorpe e como ele transforma isso [o universo sadomasoquista] em arte. Ou como o Velvet Underground transforma isso em música.

4×4 e Nó foram dois espetáculos em que você também assinou a direção com a Deborah…

E teve outros em que eu também participava e ela me deu o título de dramaturg, que recusei, porque não me preparei para ser um dramaturg. Mas trabalhava, vamos dizer, discutindo com ela a arquitetura dramática do espetáculo, onde tinha uma “barriga”, em que podia melhorar, enfim, buscando a dinâmica…

Mas no 4×4, por exemplo, que tem essa proposta de um diálogo entre dança e artes plásticas, houve uma participação maior sua?

Não. Na verdade, esse tem menos. Acho que o Nó é o espetáculo que tem mais presença minha. Porque, quando faz o 4×4, a Deborah vai procurar esses artistas que são crânios, como o Cildo [Meireles], o [coletivo] Chelpa Ferro, o Gringo [Cardia]… Caras muito inteligentes. Aí, eu saí de campo (risos). Acho que dirigir é deixar as pessoas fazerem o que elas sabem fazer melhor. Você só vai ali ver o que está faltando e ajuda.

Kid Abelha, Blitz, Barão Vermelho, Legião Urbana… Você fotografou e dirigiu os videoclipes de várias das bandas que despontaram nos anos 1980, batiam ponto no Circo Voador e tocavam direto na Fluminense FM [rádio de Niterói que tinha o rock como carro-chefe e entrou para a história sob o epíteto de ‘a Maldita’]. Como se deu seu ingresso no mercado fonográfico?

Por intuição e por causa de algumas circunstâncias. Eu precisava trabalhar. Trabalhei como assistente num estúdio e aprendi logo. Era a efervescência, era o momento, entende? A intuição da gente fica aguçada, a antena ligada. Você vê o que está acontecendo e pensa: sou o cara certo pra fazer o que tem que ser feito (risos)… Aí, quando eu já trabalhava como repórter fotográfico da Editora Abril, por acaso, tive de fazer umas fotos da Neuzinha Brizola…

Sim, a filha do Leonel Brizola [ falecida em 2011 por complicações decorrentes de uma hepatite ]. Quando ela estourou com o hit Mintchura, no início da década de 1980, o pai dela tinha acabado de ser eleito governador do Rio.

Exatamente. E a Neuzinha sacou na hora que eu sabia fazer. Tanto que, depois daquelas fotos, ela me chamou pra fazer a capa do LP dela. Logo que eu fiz essa capa, o momento do rock brasileiro aconteceu de uma hora pra outra: bum!

Você se diz uma pessoa em busca permanente de sentido no que faz. Há não muito tempo, você dava aulas de fotografia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Lecionar é algo que já não o move mais?

Adoro ensinar! Parei pelo seguinte: as reflexões que desenvolvo nas aulas, que são bastante improvisadas, acabam influenciando muito o meu trabalho pessoal. Às vezes, tenho questões não resolvidas no meu trabalho e não quero colocar para os meus alunos. E nem quero que o falado em aula, principalmente isso, me influencie quando estou trabalhando. Eu estava sofrendo, sabe? Foi por esse motivo que dei um tempo. Porque, para mim, dar aulas é muito intenso, me realiza muito. Enfim, mas tenho que fazer minha fotografia, minhas narrativas, tenho que escrever… Essas coisas misturadas estavam provocando um impedimento no meu trabalho.

Foi diante dessa constatação que você decidiu partir para o México? Em que cidade se estabeleceu aí?

Agora, estou em Querétaro, uma cidade pequenininha. O México, para mim, foi um “ligar as turbinas”, o turbo nas imagens, sabe? Porque estou sempre dividido entre a imagem e a narrativa. Eu tinha começado a escrever no Facebook, escrever alguns ensaios sobre fotografia, a partir das aulas que dava. Mas, aí, quando vim pra cá, comecei a fotografar, fotografar muito! E a facilidade de criar imagens interessantes acontecia aqui.

Cântico, trabalho que você classifica como poema audiovisual, foi quase todo desenvolvido durante sua estada aí, não?

Aqui, fiz o trabalho que queria fazer. O Cântico,para mim, é esse dobrar a esquina, é o que quis fazer a vida inteira. Um canto de amor feito com imagens, voltado para a emoção, muito visceral e ao encontro de coisas básicas e verdadeiras. Toda a minha aproximação com o cinema, com a narrativa, foi sempre procurando a emoção.

Em que sentido esse trabalho é uma provocação ao cinema? E quais seus planos para ele?

Olha, pretendo sensibilizar as pessoas, pretendo impactar. Ainda não sei como. Nem as vias institucionais quais serão. O Cântico é uma provocação, porque fiz um híbrido da imagem com a narrativa. É um cinema, mas, veja bem, cinema é imagem em movimento. Fiz um filme no qual as imagens não têm movimento, mas montei como um filme. Usei toda a minha experiência de montagem de videoclipes, de cinema, para criar esse híbrido. Algo que você não consegue definir. Isso me interessa.

Flavio, essa sua personalidade de buscar novos caminhos e olhares é, de alguma forma, influência de sua origem judaica, uma vez que você é neto de judeus russos que se estabeleceram no Rio, no início do século 20?

Em vários sentidos. No judaísmo, a palavra é muito importante. Os judeus são um povo da palavra, não são um povo da imagem. E acho que essa necessidade que tenho de criar narrativa, de falar, de escrever, de dar aula… Isso é muito judaico, sabe? E tem também o conflito com essa condição, com a minha identidade. O fato de estar sempre insatisfeito, sempre procurando resolver as coisas no nível da cultura, no nível do trabalho intelectual. Quer dizer, resolver um conflito que não dá pra resolver de jeito nenhum. Mas, veja, embora a cultura judaica não seja uma cultura de imagem, os judeus têm uma presença muito grande no cinema norte-americano, por exemplo. Mas acho que isso se dá muito mais no aspecto de contar histórias. O judeu é um povo contador de histórias.

FIM

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Fotografia e passagem do tempo

 

Revista da Cultura * Matéria de capa. Seção: Fotografia. Páginas 24 a 31.
Data da publicação: Novembro de 2014 * Edição n° 88

Perfil de Thaís Gulin por Adriana Paiva

 

MEMÓRIA EXPANDIDA

Artistas e coletivos de fotógrafos encontram na passagem do tempo matéria e desafio para a criação de projetos que extrapolam os suportes tradicionais e, não raro, vão parar nas ruas

POR: ADRIANA PAIVA / 06/11/2014

De Brasília e de Belo Horizonte, mas com atuação também fora de suas cidades de origem (e, inclusive, do país), esses grupos de artistas e fotógrafos têm em comum o fato de encontrarem na passagem do tempo matéria para a criação. Seja pelo resgate da história dos indivíduos retratados, seja pelo uso de métodos próprios da arqueologia ou mesmo enquanto desafio para continuar produzindo coletivamente. Outra linha costura o trabalho de todos: vai longe a época em que eles libertaram a fotografia dos suportes convencionais, apresentando-a para fora das galerias, e, amiúde, imbricada com outras linguagens.

Atuando como coletivo fotográfico desde 2007, Armando Salmito, Henry Macario e o casal Arthur Monteiro e Isabela Lyrio integram o brasiliense Punctum. Três deles estão às voltas agora com o projeto Ensaios sobre o tempo, que deve desdobrar-se em livro, mostras e oficinas itinerantes nos primeiros meses de 2015. A ideia para a empreitada começou a ganhar corpo a partir de um convite de Kazuo Okubo, dono da galeria A Casa da Luz Vermelha, que pretendia reunir, em uma série de iniciativas, fotógrafos em atividade na capital do país..

Uma vez aceito, o desafio do grupo foi criar um projeto que tivesse relação com Brasília e que, de alguma forma, explorasse o tema do tempo. Assim, eles estabeleceram como proposta investigar, por meio de imagens, de que maneiras a passagem do tempo vem alterando a anatomia da cidade e influindo na relação que seus moradores mantêm com ela. Dentro desse princípio, cada fotógrafo elegeu um local a partir do qual desenvolveu seu ensaio. “A gente juntou as temáticas que tinham a ver com a decadência de uma cidade tão nova”, explica Isabela. “Brasília tem 54 anos de fundação, mas é uma cidade que já tem uma história de ruínas”, diz, antes de tocar no assunto que lhe é sentimentalmente caro e que norteia seu ensaio no projeto, a W3 Sul. A mais antiga avenida comercial do Plano Piloto viveu seu período de ouro nas décadas de 1960 e 1970 e, hoje, está em franca decadência. Apesar de tudo, a fotógrafa continua a ver beleza nas ruas onde se habituou a caminhar ainda criança. “A W3 Sul é toda arborizada e você encontra de tudo ali. É um grande passeio público”, defende, sem deixar de destacar que as calçadas estão repletas de sinais do descaso do poder público. “São muitas pedras portuguesas soltas e buracos, de mais de 20 centímetros de profundidade, em plena avenida.”.

Abandonada também está a Piscina de Ondas, tema do ensaio de Henry Macario. Construída dentro do Parque da Cidade, maior centro de lazer público da capital federal, a piscina foi inaugurada em 1978 e, após vários problemas administrativos, encontra-se desativada desde 1997. Embora não tenha frequentado o lugar, Macario encontrou ali o seu elemento. Niteroiense radicado em Brasília desde 1995, foi ao mudar para a cidade que ele se tornou um assíduo nadador. “Longe do mar e das praias do Rio, só me encontrei em Brasília depois que conheci as cachoeiras, as piscinas e o Lago Paranoá”, diz.

Arthur Monteiro valeu-se de sua experiência como retratista, e de um antigo gosto por ouvir as pessoas, para encontrar na Candangolândia o seu tema. É lá onde moram, no que outrora foi um conjunto de acampamentos, vários dos personagens que, direta ou indiretamente, estiveram ligados à construção de Brasília. Monteiro foi atrás de dez desses pioneiros. Encontrou (e fotografou), entre outros, Omar de Moraes, o primeiro alfaiate a se estabelecer na capital federal.

Com as duas primeiras etapas do projeto concluídas, ou seja, a dos registros fotográficos e a da colagem das fotografias em espaços de circulação pública – definidos em conjunto com a curadora, Usha Velasco –, o coletivo dedica-se agora à documentação da receptividade às imagens e do processo de deterioração pelo qual elas já começam a passar.

Foram muitos os fatores que contribuíram para que Usha assumisse a curadoria de Ensaios sobre o tempo. Além da experiência editando publicações voltadas para as artes visuais, ela é integrante de um dos mais longevos coletivos fotográficos do Brasil, o Ladrões de Alma. O grupo, que completa 25 anos de estrada em 2014, está prestes a lançar um livro e a inaugurar uma exposição para marcar a efeméride. “Conheço os punctuns desde 2007 e admiro muito o trabalho deles”, diz. “Fiquei muito grata pelo convite, porque o assunto do tempo me é caríssimo.”

Usha vem desenvolvendo ensaios pessoais sobre o tema desde 1998. Sendo que O olhar no tempo – Encontros e trânsitos, o mais portentoso desses projetos, rendeu-lhe, em 2010, o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia. Com a proposta de explorar a noção de que a fotografia é uma janela aberta no muro da percepção espaçotemporal, Usha tirou do baú retratos de família, registrados entre as décadas de 1920 e 1930, pelo avô e pelo bisavô, ambos fotógrafos amadores, reproduziu-os em grandes dimensões e distribuiu-os por vários locais de grande circulação na área central do Distrito Federal.
O livro contando a história do coletivo trará um terço de material inédito, entre textos e ensaios fotográficos. Os outros dois terços serão de conteúdo histórico e vão contemplar trabalhos de todos os 24 fotógrafos que passaram pelo coletivo.

DAS GERAIS

Quatro fotógrafos e um jornalista formam o quinteto por trás da Nitro Imagens, sediada em Belo Horizonte. Misto de agência, banco de imagens e editora. Ou, como eles preferem se apresentar, “um coletivo independente de contadores de histórias visuais”. Histórias que eles costumam narrar valendo-se dos instrumentos mais diversos e sempre segundo as afinidades de cada um com os temas eleitos.
Assim foi com Os Chicos, projeto tocado pelo fotógrafo Leo Drumond em colaboração com Gustavo Nolasco, o jornalista do grupo.

A proposta era abordar aspectos do passado e do presente da região do Rio São Francisco sob a ótica dos ribeirinhos. E a partir de um viés bastante original: “Todos os personagens tinham que ser Franciscos ou Franciscas, ou ter o apelido de Chico ou Chica”, conta Drumond. “Quando se fala de cultura oral, sempre se pensa nos moradores antigos ou nos contadores de ‘causos’. Esse recorte nos impôs uma diversidade de gênero e idade que enriqueceu muito o conteúdo”, justifica. Os Chicos acabou se tornando um dos projetos do coletivo que mais repercussão obteve dentro e fora de Minas Gerais. Além das mostras multimídia, que passaram por várias cidades mineiras, o material rendeu os volumes: Os Chicos – Prosa e Os Chicos – Fotografia. Tendo este faturado o Prêmio Jabuti de 2012 como melhor livro de fotografia. A ideia agora é transformar o projeto em documentário.

Prova de que as narrativas visuais da Nitro Imagens vêm chamando cada vez mais atenção foi o convite recebido para participar do conceituado E.CO – Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos, que aconteceu em Santos (SP), entre agosto e setembro.

Embora sejam uma formação recente como coletivo, André Hauck e Camila Otto, do SC02, também representaram Belo Horizonte no E.CO. Formados em Artes Visuais pela UFMG, eles já trabalhavam em projetos paralelos desde 2006 – Camila com gravura expandida, Hauck com fotografia. Mas a constatação de que funcionavam bem como coletivo só veio a acontecer em 2012, durante uma residência artística em Buenos Aires. Também ali se esboçou o que viria a ser o norte do grupo: circular pelas cidades, mapeando-as visualmente e propondo reflexões sobre como as pessoas moldam e configuram o espaço e são plasmadas por tudo o que as rodeia.

“A passagem do tempo é crucial em nosso trabalho como um todo, seja no deslocamento espaçotemporal, seja no deslocamento de objetos e entre lugares”, diz Camila. Inventariar, ação de 2013, apresentada durante a residência artística RE:USO, já apontava para essa importância – bem como para a opção de subverter os chamados cânones científicos. Percorrendo o Jardim Canadá, bairro da mineira Nova Lima, ao longo de 15 dias, o coletivo realizou um inventário fotográfico de artefatos descartados pela população, ressignificando-os e transportando-os para o universo da arte contemporânea. “Todo o material coletado foi numerado, fotografado, classificado, ordenado e catalogado, como referência a métodos empregados em processos arqueológicos e científicos”, esclarece Camila. Ação semelhante se repetiu na Feira de São Joaquim, em Salvador. Dessa vez, o filtro da coleta foram os elementos sincréticos da cultura baiana.

Ocupados com vários projetos simultâneos, os mineiros do SC02 também se dedicam agora à edição do livro e do blog resultantes de Entre-Lugares, mapeamento visual da cidade de Foz do Iguaçu, tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. A expectativa é de que ambos os lançamentos ocorram na segunda quinzena deste mês.

FIM

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